O Agrupamento de Escolas de Maximinos (AEMAX) é uma comunidade educativa de referência no concelho de Braga, integrando as freguesias de Maximinos, Ferreiros, Gondizalves e Semelhe. Conta com sete estabelecimentos de ensino, do Pré-Escolar ao Ensino Secundário, e orienta a sua ação pelo lema “Do conhecimento à cidadania ativa”, assumindo uma missão clara: formar cidadãos críticos, solidários e autónomos, comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
O Projeto Educativo 2024–2028 estrutura esta missão em três eixos fundamentais: Inovar; Incluir; Inspirar. Enquanto Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), o agrupamento acolhe uma comunidade marcada pela diversidade cultural e linguística, com mais de 40 nacionalidades representadas e presença significativa de alunos migrantes e de etnia cigana. Esta pluralidade é encarada como recurso educativo e base de uma pedagogia de equidade, em consonância com o documento da DGE sobre Inclusão de Alunos Migrantes (2024), que reconhece a importância da educação intercultural e da língua como veículo de sucesso.
Para garantir que estas orientações se concretizem na prática, o Regulamento Interno (2024) estabelece uma estrutura de governação pedagógica e participativa, promovendo a articulação entre os diferentes órgãos e instrumentos escolares. Nele podemos verificar que O Conselho Geral assegura a coerência estratégica e aprova os principais instrumentos (PE, PAA, RI, TEIP), enquanto o Conselho Pedagógico supervisiona a articulação curricular e a qualidade das práticas educativas. As estruturas intermédias — departamentos, coordenadores, equipas educativas e observatório da qualidade, asseguram um acompanhamento próximo das aprendizagens e das necessidades dos alunos, permitindo que a liderança do agrupamento, atualmente exercida por Paulo Antunes, articule eficazmente professores, técnicos, famílias e alunos em torno de uma visão transformacional.
O Manual de Controlo Interno (2023) reforça esta cultura de transparência e eficiência, garantindo que os recursos humanos, materiais e financeiros convergem para a missão educativa. O AEMAX é também Agrupamento de Referência para Alunos Cegos e/ou de Baixa Visão, dispondo de um Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA) e de um Centro de Recursos TIC para a Inclusão (CRTIC), ambos equipados com tecnologias e software adaptado, bem como formação específica para docentes e alunos, traduzindo uma abordagem pedagógica inclusiva e centrada no desenvolvimento integral de cada aluno, o que se reflete nos documentos estruturantes que orientam a ação do agrupamento. O Plano de Ação TEIP 2024–2027 define como objetivos centrais a melhoria da qualidade das aprendizagens e o sucesso educativo, a promoção, inclusão e coesão social e o reforço da participação da comunidade educativa.
A ação do agrupamento de escolas de Maximinos, concretiza-se em múltiplas dimensões, articuladas entre si.. No âmbito da Aprendizagem e Avaliação, conta com o Plano de Recuperação das Aprendizagens (PRA 2023/24) e o Plano Anual de Atividades (2024/25) operacionalizam uma pedagogia ativa e diferenciada, que conjuga rigor, criatividade e literacias múltiplas. Projetos como Escola a Ler, Matemática em Ação, Laboratórios de Aprendizagem e Diário de Escritas fomentam o prazer de aprender. Neste contexto, a avaliação formativa, prevista no Regulamento Interno, assume papel central na regulação das aprendizagens, promovendo monitorização contínua, feedback personalizado e planos de apoio temporário, enquanto o Plano de Capacitação Docente (2024) valoriza o professor como mediador e designer de experiências de aprendizagem, com formação em funções executivas, neurociência cognitiva e práticas inclusivas.
Ainda no quadro das aprendizagens temos o Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA (2024/25), este define-se como “espaço de convergência de recursos humanos e materiais, promotor da autonomia e do sucesso educativo”. A sua ação inclui: Apoio psicopedagógico e coadjuvação em sala; Oficinas de leitura, escrita e raciocínio lógico; Planos de apoio temporário (PAT); Reforço para alunos em anos de exame; Aulas de Português Língua Não Materna; Acompanhamento social e emocional através do GMOE e do GRIA. O agrupamento dispõe ainda de estruturas complementares como o GMOE (Gabinete de Mediação e Orientação Escolar), GRIA (Gabinete de Receção e Integração de Alunos Estrangeiros), CASA (Centro de Apoio à Socialização e Autonomia), EMAEI, CRTIC, SAPA/SNIPI e Centro Qualifica. Estes serviços garantem um apoio multinível que concretiza os princípios do Decreto-Lei n.º 54/2018, assegurando uma inclusão efetiva e participativa.
No contexto da Mentoria, temos o próprio Programa de Mentoria (2024/25), que se baseia em pares de alunos (mentor/mentorando), cujo objetivo é a promoção e a integração de novos alunos, a organização do estudo e o desenvolvimento de competências socioemocionais e de autorregulação. Aqui, os mentores são reconhecidos e formados para exercer uma liderança empática e solidária, contribuindo para um melhor clima escolar e para a redução do abandono. No panorama das aprendizagens, encontramos, ainda, o Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola (PADDE 2024) que evidencia a aposta na modernização pedagógica. Entre as medidas adotadas, destacam-se a formação docente em ferramentas Google Workspace, os projetos STEAM, as salas de aula híbridas, os laboratórios digitais e as plataformas colaborativas. De destacar que o agrupamento detém o Selo de Segurança Digital (2026), reforçando a utilização ética e segura das tecnologias, que são encaradas como meio de democratização e personalização da aprendizagem.
Para além destas iniciativas digitais, o AEMAX desenvolve, também, múltiplos projetos que consolidam a sua dimensão cultural, artística e cidadã, tais como: Eco-Escolas, Escola Azul, Plano Nacional das Artes, Plano Nacional de Cinema, Clube Ciência Viva, Capacit’Arte, Circo Social, Mochila Cultural Digital, Projeto INschool, Projeto MenSI, Laboratórios de Educação Digital, Curso PLA – Português Língua de Acolhimento, Ensino Artístico Especializado de Dança (2025–2026), Turma CLIL – 5.º ano. Mantém ainda parcerias com a Universidade do Minho, Casa do Professor, Instituto Confúcio, BragaHabit e Câmara Municipal de Braga, promovendo atividades interdisciplinares e interculturais no âmbito do Plano Anual de Atividades. Estas experiências aproximam a escola da comunidade e fazem dos alunos agentes ativos de transformação social. À luz das propostas realizadas pelo agrupamento e no sentido de inovação e melhoria que pretende, o AEMAX evidencia uma sólida cultura de autoavaliação e autorregulação institucional, apoiada em instrumentos como o Observatório da Qualidade (2025/26), os relatórios TEIP e PNPSE, o Manual de Controlo Interno e as autoavaliações de ciclo. Estes mecanismos asseguram um acompanhamento rigoroso dos indicadores de sucesso, frequência e clima escolar, permitindo ajustar estratégias e consolidar boas práticas. Os resultados demonstram uma progressão sustentada nas taxas de conclusão e redução das retenções, confirmando a eficácia de uma gestão pedagógica participada e baseada em evidências.
20.2. A comunidade Cigana em Portugal: História, Desigualdade e Caminhos para a Inclusão
Originários do noroeste da Índia, os povos ciganos iniciaram, por volta do século XV, um longo processo migratório que os levou a atravessar o Médio Oriente e a chegar à Europa. Em Portugal, o seu registo remonta aproximadamente a 1500, provenientes sobretudo de Espanha. Desde o início, a sua presença foi marcada por hostilidade e exclusão: sofreram perseguições, expulsões e marginalização, sendo alvo de sucessivas medidas repressivas que limitavam o seu acesso e permanência em espaços públicos. Tais políticas reforçaram o estigma e a desigualdade, cujos efeitos se refletem ainda hoje na sociedade portuguesa (MAGNO; MENDES, 2013).
O preconceito e a discriminação contra a comunidade cigana não constituem fenómenos recentes. Historicamente, este grupo tem sido alvo de múltiplas formas de exclusão, desde a perseguição institucional até à rejeição social. Em Portugal, uma parte significativa da população cigana vive abaixo do limiar da pobreza, enfrentando carência de recursos básicos como alimentação, habitação, saneamento e acesso à água potável (ADFUE, 2021). Esta situação evidencia um ciclo de pobreza estrutural que se reproduz entre gerações, mantendo o grupo numa posição de vulnerabilidade social.
Um dos principais fatores que contribuem para a perpetuação desta realidade é a dificuldade de inserção laboral. De acordo com a UALMedia (2023), muitas pessoas ciganas afirmam sentir-se discriminadas durante os processos de recrutamento e algumas relatam terem sido despedidas após a revelação da sua origem étnica. Paralelamente, o baixo nível de escolaridade constitui outro obstáculo relevante: muitos adultos não sabem ler nem escrever, ou apenas concluíram o 1.º ciclo do ensino básico, o que limita drasticamente as suas oportunidades de integração no mercado de trabalho formal. Acresce a este cenário o facto de a comunidade cigana não ser reconhecida institucionalmente como minoria nacional ou étnica em Portugal, o que contribui para a sua invisibilidade política e social. A ausência de políticas públicas específicas voltadas para este grupo reforça o seu isolamento, restringindo o convívio e a participação social a um círculo fechado — uma micro-sociedade onde a identidade cultural é preservada, mas frequentemente em detrimento da integração social (MAGNO; MENDES, 2013).
Nos últimos anos, contudo, o Estado português tem procurado adotar medidas mais inclusivas. A Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), lançada em 2013, procurou promover a igualdade de oportunidades nos domínios da educação, emprego, habitação e saúde, fomentando o respeito pela diversidade cultural e a participação cívica destas comunidades (ACM, 2013). Paralelamente, programas como o Rendimento Social de Inserção (RSI), os Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) e o Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF) têm desempenhado um papel relevante ao proporcionar melhores condições de acesso à educação e à proteção social. Estas medidas contribuíram, ainda que parcialmente, para reduzir alguns dos desafios enfrentados pelas famílias ciganas. As mulheres passaram a ter maior acesso a creches e cuidados infantis, e as crianças foram incentivadas a permanecer na escola, o que representa um avanço importante no combate ao abandono escolar precoce. Contudo, apesar dos progressos, os níveis de escolaridade, empregabilidade e inclusão social continuam substancialmente abaixo da média nacional, revelando que a desigualdade estrutural persists (BERENGUER, 2021).
Em Braga, a comunidade cigana encontra-se concentrada sobretudo em cinco locais: o Bairro Social de Santa Tecla, o Bairro do Pitoco, o Bairro Social das Enguardas, o Bairro Social da Ponte dos Falcões e o Monte de São Gregório, em Maximinos (BERENGUER, 2021). Nessas áreas, observa-se uma inserção laboral predominantemente precária e marginal, refletindo a exclusão económica e social que ainda caracteriza a experiência cigana no território português. Tal realidade reforça estigmas étnicos e perpetua a separação simbólica e material entre a comunidade cigana e o restante tecido social. Em síntese, a história da comunidade cigana em Portugal é marcada por resistência e exclusão, mas também por resiliência e adaptação. A persistência de desigualdades profundas revela a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e de uma mudança cultural sustentada no respeito, na valorização da diversidade e na promoção da cidadania plena. A verdadeira inclusão dos povos ciganos exige mais do que ações pontuais — requer o compromisso social e político com a igualdade de direitos e oportunidades, condição indispensável para uma sociedade verdadeiramente democrática e plural.