A fase inicial pautou-se pelo alinhamento estratégico com os órgãos responsáveis dos sete AEs de Braga. Realizaram-se reuniões com as Direções e respetivos elementos dos Conselhos Pedagógicos para apresentar o referencial do TFB@Sucesso, definir pontos de contacto e validar o cronograma de implementação nas escolas. Nesta fase, propôs-se o alargamento da intervenção ao 1.º CEB numa perspetiva preventiva, concretamente nos AEBO, AEC, AEFS e AER.
2.1. Processo de Sinalização e Diagnóstico do Público-Alvo
Posteriormente, com vista a mapear as necessidades dos sete AEs, foi operacionalizado um processo de sinalização de alunos em risco ou situação de insucesso escolar, através de um instrumento de recolha em formato Excel desenvolvido para o projeto. Esta ferramenta viabilizou a recolha systematizada de dados sociodemográficos (como idade, nacionalidade e escalão de Ação Social Escolar), da condição funcional do aluno e de indicadores do seu percurso académico, nomeadamente as causas do insucesso (desmotivação, retenção, risco de abandono ou outra), o enquadramento em Relatório Técnico-Pedagógico (RTP) e se frequenta a disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM), assim como o nível de português. Adicionalmente, registou-se a existência e o motivo de acompanhamento por parte do Serviço de Psicologia e Orientação (SPO). Concluída a fase de diagnóstico individual, definiu-se o conjunto de turmas a integrar no projeto com base em três critérios: a presença de alunos sinalizados em risco de insucesso, a identificação das turmas que apresentam maiores desafios comportamentais e relacionais, bem como maiores níveis de insucesso académico, evitando a sobreposição de intervenções de projetos com os mesmos objetivos. O processo de articulação e sinalização do público-alvo foi realizado de forma única em cada AE, encontrando-se, por isso, sistematizado na tabela.
Matriz de Indicadores Recolhidos no Instrumento de Sinalização
Sociodemográficos
Idade, Nacionalidade, Escalão ASE, Condição Funcional.
Percurso Académico
Causas de insucesso (desmotivação, retenção, abandono), Nível PLNM.
Enquadramento Especial
Presença de RTP (DL 54/2018) e acompanhamento por SPO.
Com base no diagnóstico efetuado, foram implementados planos de intervenção personalizados para cada AE, embora sustentados pelo mesmo referencial metodológico. Neste sentido, a intervenção contemplou dois momentos temporais: o período letivo e o período não letivo. Inicialmente, o projeto contemplava um terceiro momento temporal: o período pós-laboral, dedicado à capacitação das famílias e docentes, porém, atendendo à primazia da intervenção com os alunos, não foi passível de concretizar neste ano letivo.
2.2. Programa de Intervenção (PI) em Contexto de Sala de Aula
No período letivo, ocorreu a intervenção em contexto de sala de aula, com duas vertentes: o programa de intervenção e a mediação ativa. O Programa de Intervenção (PI) foi realizado em todas as turmas selecionadas dos 1.º, 2.º e 3.º CEB. Este contemplou sessões, geralmente quinzenais, com o objetivo de promover a construção de competências como a empatia, a colaboração, a cordialidade, a resiliência, a criatividade, a gestão emocional e a iniciativa na aprendizagem. Para além de favorecerem o bem-estar socioemocional, as sessões constituíram uma estratégia estruturada de regulação comportamental, de melhoria do clima relacional e de incremento do envolvimento cognitivo dos alunos nas atividades escolares. As atividades foram dinamizadas numa lógica de educação não formal e decorreram, em geral, no tempo letivo de Direção de Turma ou na disciplina com maior disponibilidade horária. Contudo, o AER e o AEM apresentaram algumas especificidades logísticas, pelo que a intervenção não foi sempre realizada na mesma disciplina. Importa ainda salientar que, ao longo do ano letivo, a intervenção foi alargada a novas turmas em alguns AEs, respondendo a necessidades sinalizadas pelas próprias comunidades educativas, reconhecendo, assim, a relevância do projeto no desenvolvimento socioemocional e no sucesso escolar dos alunos. Paralelamente, o PI foi devidamente adaptado ao 1.º CEB, bem como ao formato de acompanhamento das turmas com intervenção semanal.
2.3. Mediação Ativa (MA) nas Disciplinas Nucleares
Por sua vez, a Mediação Ativa (MA), de carácter semanal, foi desenvolvida com o intuito de responder a necessidades prioritárias identificadas em determinados agrupamentos de escolas, tendo sido realizada em turmas sinalizadas do 2.º e do 3.º CEB, no horário da disciplina cujo comportamento dos alunos configurou maior desafio à aprendizagem. A aula desenvolveu-se sempre de acordo com os procedimentos habituais, sem qualquer interrupção, garantindo a continuidade inalterável do processo pedagógico. A intervenção ocorreu junto do(s) aluno(s), sempre que se verificaram comportamentos susceptíveis de comprometer a aprendizagem individual ou coletiva, tendo-se adotado uma lógica de mediação. Este foco mediador privilegia a regulação construtiva de condutas inadequada, a resolução pacífica de conflitos e a promoção de interações saudáveis entre os alunos, procurando simultaneamente fomentar momentos de reflexão estruturada, desenvolver competências socioemocionais e implementar estratégias pedagógicas que potenciem a atenção, a concentração, a motivação e o empenho académico.
Programa de Intervenção (PI)
- Periodicidade: Quinzenal / Semanal.
- Foco: Grupo-Turma (Educação Não Formal).
- Competências: Empatia, resiliência, gestão emocional, clima de aula.
- Contexto: Direção de Turma ou horários mais disponíveis.
Mediação Ativa (MA)
- Periodicidade: Semanal (sem interromper a aula).
- Foco: Resposta imediata em turmas/alunos sinalizados.
- Disciplinas: Matemática, Português, Inglês (desafios acrescidos).
- Objetivo: Desescalada comportamental, atenção e autorregulação.
Relativamente à execução física do projeto, apresenta-se de seguida a dimensão operacional da intervenção, detalhando o público-alvo e o nível de abrangência alcançado junto das comunidades escolares. Na tabela verifica-se que, relativamente aos ciclos de ensino básico abrangidos, o projeto estendeu-se do 1.º ao 3.º CEB no AEBO, com um total de 10 turmas, no AEC, que integrou 22 turmas, no AEFS, com 24 turmas, e no AER, com um total de 32 turmas. Em contrapartida, no AEDMII, no AEM e no AETSM, a intervenção incidiu exclusivamente no 2.º e 3.º CEB, mobilizando 26, 15 e 4 turmas, respetivamente. De modo a viabilizar a intervenção, definiu-se como critério a obtenção de uma taxa mínima de 75% de consentimentos informados por turma. Em certos agrupamentos, como é o caso do AEBO, do AEFS, do AEM e do AETSM, o processo foi assegurado pela própria escola, tendo sido utilizadas as declarações de consentimento existentes, enquanto nos restantes agrupamentos os formulários foram entregues aos alunos para preenchimento pelos encarregados de educação. Ocorreu a adesão plena de 100% em todas as turmas do AEBO, AEC e AEM, assim como no AEFS e no AETSM, onde apenas duas turmas apresentaram uma taxa de adesão abaixo dos 100% (95,2% e 94,1%, respetivamente). Em sentido oposto, o AEDMII e o AER apresentaram maior oscilação, com percentagens de consentimento por turma a variar entre 47,6% e 95,0% em AEDMII, e entre 38,1% e 100% no AER.
Na tabela dedicada à execução física do PI, observa-se um padrão análogo em todos os agrupamentos, cujas primeiras sessões decorreram ao longo do mês de novembro de 2025, prolongando-se até ao início de dezembro em turmas pontuais, excetuando o AER, cujo início foi em janeiro de 2026. Relativamente ao número total de sessões dinamizadas, o AER, o AEFS e o AEDMII apresentaram maior volume de intervenção, com 303, 276 e 243 sessões, respetivamente. Seguiram-se o AEC, com 189 sessões, o AEM, com 175, e o AEBO, com 124, e, por fim, o AETSM com 38 sessões. Esta distribuição refletiu-se de forma direta no alcance de participantes. Assim, o AER e o AEFS interviram com 6020 e 5217 alunos, respetivamente, seguidos pelo AEDMII (4306 participantes), AEC (3564 participantes), AEM (3079 participantes) e AEBO (2078 participantes), e, por último, o AETSM representou o menor alcance quantitativo, totalizando 633 participantes.
Conforme ilustrado na seguinte tabela, a execução física da MA abrangeu cinco dos sete AEs envolvidos no projeto, nomeadamente o AEBO, AEC, AEFS, AER e AETSM. Relativamente aos contextos de sala de aula onde decorreu, observa-se que a mediação incidiu predominantemente nas disciplinas estruturantes, destacando-se a Matemática, o Inglês e o Português, como as áreas mais transversais e frequentemente associadas a esta intervenção, revelando ser onde se concentravam os maiores desafios comportamentais e de desempenho escolar. Salienta-se a capacidade de adaptação da equipa técnica em todos os AEs, que alargou a intervenção a mais do que uma disciplina na mesma turma sempre que, em articulação com os docentes, se identificaram desafios acrescidos. Ainda, o AEC e AETSM foram os primeiros a operacionalizar a MA, com as sessões iniciais a arrancarem em meados e finais de novembro de 2025, respetivamente. No AEBO e no AEFS as intervenções começaram maioritariamente no início de dezembro de 2025, enquanto que no AER apenas teve início entre o final de janeiro e março de 2026. Neste sentido, o AEFS destacou-se de forma isolada com o maior volume de sessões, contabilizando um total de 446 sessões de MA, seguindo-se o AETSM (301 sessões), o AE de Real (266 sessões), o AEC (181 sessões), enquanto o AEBO apresentou apenas 157 sessões.
| Agrupamento (AE) |
CEB Abrangidos |
N.º Turmas |
Sessões PI |
Alcance PI (Alunos) |
Sessões MA |
| AEBO (Braga Oeste) |
1.º, 2.º, 3.º |
10 |
124 |
2.078 |
157 |
| AEC (Celeirós) |
1.º, 2.º, 3.º |
22 |
189 |
3.564 |
181 |
| AEDMII (D. Maria II) |
2.º, 3.º |
26 |
243 |
4.306 |
N/A |
| AEFS (Dr. Francisco Sanches) |
1.º, 2.º, 3.º |
24 |
276 |
5.217 |
446 |
| AEM (Maximinos) |
2.º, 3.º |
15 |
175 |
3.079 |
N/A |
| AER (Real) |
1.º, 2.º, 3.º |
32 |
303 |
6.020 |
266 |
| AETSM (Trigal Santa Maria) |
2.º, 3.º |
4 |
38 |
633 |
301 |